segunda-feira, 15 de outubro de 2007

MATÉRIA PUTREFACTA


A nossa carne devia ser considerada demasiado podre para conservar a vida. É um saco de vícios, medos e de interesses, sobre os quais já pairam um enxame de varejeiras sedentas por esse exsudar fétido. Somos demasiado frágeis, quase moribundos para entender o projecto de vida. O invólucro que nos é dado é o material mais frágil que devia ser reconhecido. É limitado ao frio e ao calor, á fome e á doença, á solidão e ao crime, á arma e ao veneno, ao cativeiro e á asfixia. Um monte de ossos coberto de carne. Dura realidade à qual apenas somos resgatados por um rasgo de racionalidade, que sustenta uma falsa convicção. A crença que podemos estar acima de tudo. Que grande desperdício de energia é este em que usamos quase todas as nossas faculdades para “atingir o melhor de nós”, que ás vezes traduzido, não é mais do que “ o pior de nós”. É frágil a queda de cairmos no erro de querermos trepar usando o corpo e diminuindo as faculdades dos outros. Porém, o melhor de nós também está escondido nesse recanto escuro do nosso espírito.

Por Eumesma




Hoje descobri. Acorda tu também e verifica. Acorda a tua melhor parte e comprova tu mesmo. O melhor de nós está quando nos doámos aos outros. Está no nosso olhar de ternura, nos nossos gestos de amor, no nosso abraço de afecto, no nosso sorriso de dádiva, no nosso abraço de solidariedade, na nossa entrega de fraternidade. Se não fores capaz de ver, aprender e tentar executar, mais vale que zumbam já sobre ti milhares de varejeiras, que te consumam o corpo, porque o espírito já não habita nesse corpo.

1 comentário:

Mário disse...

de facto a matéria putrefacta é tanta á nossa volta, que se sente o cheiro nauseabundo no ar!
Este post deveria ser lido por todos os necrófagos, para saberem que se quisermos e termos vontade os venceremos e venceremo-nos a nós mesmos!