Mostrar mensagens com a etiqueta Sentidos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sentidos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de março de 2009

QUANDO!


Persisti e esclareci o que para mim pareceram milhões de dúvidas. Mas como ser humano que sou e mulher que não posso deixar de ser, continuo nas minhas congeminações, na minha formulação de teorias, no meu mundo imaginário de conspirações. Quando a minha cabeça entra em divagações, quando o meu espirito tenta alcançar as respostas que estão para além de qualquer deus, os meus pensamentos entram no turbilhão descendente que me amarra e vergasta contantemente sobre o chão. Minha cabeça começa a ganhar peso e enojo-me por dentro. Fico triste e os meus dentes e olhos cerram-se. Que dor sem doer. Fico agitada, sinto picadas invisiveis por todo o corpo. A dúvida das dúvidas me consome. Obtive já resposta ao Que sou para Ti! ao Quanto sou para Ti! Agora falta Quando me dizes que Me queres?
Dias e sóis passam, vento que volteia, chuva que tarda a chegar. Poeira que sobe e que desce, raio de luar que queima. Assim o tempo passa, e quando o dirás!?
A tua resposta surge:
- Também por mim o tempo passa, e a resposta ao que me pedes, será a resposta do tempo sobre o meu corpo e a minha mente. Quando o meu cerebro arder com a febre de meus pensamento por ti, é porque te quero. Quando os meus pulmões não poderem aspirar outro perfumem que não seja o do teu corpo é porque só de ti necessito, como ar para viver. Quando sentir minhas mãos algemadas e incapazes de se abrirem, é sinal que não precisarei de fazer mais nada que não seja te agarrar, te estreitecer ao longo do meu corpo, encadeada pelos meus dedos. Quando deixar de ter fome, sede ou frio, é porque te quis bem e tu cuidas-te de mim. Quando as minhas pernas tremerem e não for capaz de dar um único passo, saberás que és minha, porque deixei de ir mais longe, passou a bastar estar junto de ti. Meu corpo falará por mim. Deixarei de ter sentidos. Nada em mim fará sentido porque te vou dizer que te quero.Quando todo esse tempo passar e o meu corpo e mente te falar no silêncio dos meus gestos, não te impacientarás jamais porque terás entrega escrita sobre a pele.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

EQUILIBRIO ETERNO QUE ME PERTENCE


O mundo não é só uma Torre de Babel nas línguas com que nos expressamos, mas também nas leis que nos comandam. Um mundo repleto de coisas boas á espera de serem vividas. Vivo-as mais do que o que julgam. Mas como partilhar?


É complicado explicar sentimentos profundos através dos sentidos. É complicado ter alguém ao nosso lado quando só pensamos em lhe abraçar a alma. Trespassar todo o seu corpo com um toque invisível, que lhe esmague o coração entre os dedos ardentes de devoção. Olho as minhas mãos tão frágeis e humanas. Magras de força mas repletas de vontade. Retesadas como catapultas aguardando a hora de receber e aprisionar o que sempre me esperou pertencer.

No teu invólucro sombrio escondes e resguardas o que brilha para mim. Que sussurra através do tempo e do espaço para renascer nas masmorras dos meus dedos. Perfuro com um sopro quente um peito que se retesa e se oferece. És meu onde estiveres!

domingo, 7 de outubro de 2007

PALAVRAS E SILÊNCIOS...


Não enceto com nenhuma citação porque a minha resposta já se prevê frágil, arrastada, sempre á espera duma manhã diferente. Pelo menos irradias novidade e força. Tomas a tua vida como três dias e duas noites, se não o é, é porque são dois dias e três noites. Queria ser capaz de alterar o que pensas, mas eu não passo de monotonia e fragilidade. A minha vida são muitos dias que se desenrolam e adensam o meu drama. Há momentos em que quero que os meus músculos cardíacos parem de bater. Para só o silêncio ressoar no meu céu interior, como síntese de todos os momentos, que batem uníssono, fruto amadurecido ao calor de cada instante. Perco a noção do silêncio. A minha vida é confusão de gritos onde me perco, em diálogos de surdos. O silêncio é a arte de dizer grandes coisas. A ciência da vida está em fazer silêncio, fechar os olhos e os ouvidos para ouvir. Mas o silêncio não é fuga ao diálogo. Se me calo, é para poder escutar os outros, para amar mais e melhor. No diálogo interpessoal, o mais importante e difícil é escutar. A palavra diz pouco, quanto mais explica mais complica. O silêncio diz mais. Gestos, atitudes, comportamentos são mensageiros de tudo o que sou e possuo, levam aquilo que sou e possuo. Levam aquilo que sou e não só o que digo. Mas ninguém me escuta, ninguém me entende e o silêncio que me habita com luz transforma-se em noites e trevas. Noites de esperança, noites de razão e de sentidos, que no escuro sufoca-me em agonias, sedes e abandonos. Morro para as minhas razões e evidências obscuras. Desculpa se não obedeço, se não respondo ao teu manuscrito, mesmo que tu digas que és pó que o vento leva, eu também quero ser levada, não quero ficar só. Estou sofrendo de solidão e ninguém sente. Há em mim um conflito insanável entre a luz e as trevas. As forças do mal e a luz que se esforça por apagar o rosto fulgurante, que a denuncia e condena. As trevas obscurecem os pensamentos e desejos. Mergulho em desolação e noite escura. Vai-se o gosto de amor, a alegria de viver, agora tudo é lento e turvo, no meu caminho interior. Quebrou-se a paz existente, a certeza das minhas decisões radicais para ficar sozinha no meio das minhas dúvidas, perdida em interrogações. Nada me atrai, nada merece a pena. Invade-me a alma a noite, da razão e dos sentidos, e sinto-me ausente, naufrago dos meus lamentos e gemidos. O monstro que me tenta sufocar, está a conseguir. O ar que ainda respirar, aproveito para o transformar em palavras que te dedico. A vida é mar incerto, agitado pela inconstância dos ventos e marés. Tem horas de tudo e de nada, marés-cheias e marés baixas. Para além de qualquer cabo, entre neblinas, ocultam-se e chamam por ti as descobertas. Há baixios na rota, barcos encalhados, mas não temas. A maré não tarda…também não concluo citando. Apenas te digo, lanço-te uma jangada para não te afundares, mas promete-me que a mim me lanças ao menos uma palha, para fazer inveja ás pedras que vão ao fundo. Não há que ter pena delas porque elas não se afogam, mas eu já me sinto a entrar em reinos de Neptuno e de Ares.
Por Eumesma